eu e você, mas não nós

domingo, 22 de janeiro de 2017

eu confesso que acompanho a sua vida e o seu namoro de longe, e que acho lindo, um dos relacionamentos mais bonitos que já "conheci". mesmo acompanhando apenas pela internet, consigo perceber que vocês se completam e se amam, e que ela te trata da maneira que você merece ser tratado. confesso que sinto alguma coisa estranha quando vejo uma foto de vocês dois juntos e que nunca tinha entendido esse meu sentimento, sendo que quem "destruiu" tudo foi essa que vos fala. ontem entendi, finalmente. estava dentro de um carro voltando para minha casa depois de beber algumas cervejas. já tinha um pouco de álcool no sangue, não posso negar, mas foi durante esse momento que juntei o quebra cabeça de nós dois. noite chuvosa de sábado, mês de janeiro: 3 anos depois da primeira vez, um ano depois da segunda vez. é sempre janeiro, né? sempre o mês mais quente que me impossibilita de querer abraçar alguém. e dessa vez está frio. quase duas semanas de frio. eu gostaria de ter sentido frio nas primeiras vezes com você. mas enfim, vamos lá: você sempre me tratou como uma princesa, como se eu fosse única no mundo. sempre tentou fazer tudo por mim, mesmo com seu jeito de signo-de-fogo de ser. e eu renegava tudo isso. 

vejo que hoje você trata a sua namorada da mesma forma: ela é o seu sol. acho isso poético e sinto ciúme. mas não é ciúme de você, e sim do que eu poderia ter vivido, ciúme do relacionamento que você tem e que eu nunca consegui ter com você. e sejamos sinceros: por culpa minha. aprendi a ser tão independente que criei o meu próprio mundo e até hoje não consigo permitir a invasão de alguma outra pessoa nesse espaço tão meu. eu posso invadir outros planetas, mas não posso ser invadida. entenda: depois de anos morando de favor num planeta vizinho, eu precisava construir o meu próprio, e ele foi feito com uma base tão forte que é impossível entrar aqui. 

eu poderia viver tudo isso com você. viajar com você, cuidar de você e ser cuidada por você... mas a grande questão é que eu não consigo mais ser cuidada por ninguém. o meu jeito maluca e independente, que você carinhosamente apelidou de "mineira", na verdade é uma armadura que não sei como desfazer. e não é só com você, não. eu posso sentir um universo de sensações, mas sempre vou fingir que não sinto tudo aquilo. orgulhosa, sim. e um pouco idiota também. minha mãe diz que nunca vou conseguir me relacionar com alguém e que vou ficar pra titia. os sobrinhos já tenho. e talvez seja um bom destino para uma pessoa que não se permite ser amada, né? fujo na primeira declaração de quase-amor. a sorte é que quase sempre me relaciono com pessoas que também evitam sentir algo, assim acabamos num empate e cada um sai para procurar a felicidade de alguma outra forma. 

recentemente me apaixonei por uma pessoa, e não deu certo. ele acabou ficando com outra. me senti mal por dois dias, mas depois joguei a culpa nele e tentei esquecer. pode ser que, nesse caso, não existam culpados. mas não sou nenhuma mocinha do bem nessa história toda: eu neguei e fingi que não sentia nada durante o tempo todo. eu mergulhei de cabeça nele, mas não permiti que ele soubesse disso e negarei até a morte se vier me perguntar, mas eu senti. assim como senti por você. eu sentia, mas não me permitia a entrega. a verdade, enfim, é que nós não combinamos. você queria cuidar de mim, e eu me cuido sozinha. você queria alguém que cuidasse de você, mas eu cuido apenas de mim. burra, mil vezes burra. eu espero um dia esquecer que queria viver tudo com você, mas que não consegui. 

sempre escrevo sobre a quantidade de amores que já tive. são as minhas histórias para contar. histórias de amor. mas histórias de amor onde o amado nem sabia que existia amor. eu sempre escondo. e eu sempre me arrependo depois, mas acabo sempre repetindo a forma de lidar com meus sentimentos. espero um dia aprender. espero aprender que, principalmente, amar e cuidar de uma pessoa não significa ser dependente dela. as duas coisas para mim ainda andam juntas. 

quero que seja feliz no seu mundo. você merece toda a felicidade que ele tem para te oferecer. <4

2017

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

meados de janeiro e 11 dias para 23 anos. me sinto velha, ao mesmo tempo que me sinto jovem. parece que ainda não fiz nada, parece que já fiz tudo. quase noite de uma terça-feira chuvosa, cá estou na minha mesa do trabalho sentindo dor. tenho trabalhado muito nos últimos dias. são tantas coisas para resolver, e-mails para responder, textos para escrever, site para fazer e livros para vender que não estou vendo o tempo passar. o que é bom. as vezes, observar a passagem do tempo dói. bem mais do que a cólica que estou sentindo. comecei o ano com algumas metas para o ano e não sei se terei ano o suficiente para cumprir, mas estou desde o dia 1 tentando. prometi para mim que não iria procurar dor por ai, então evito te procurar. prometi também que seria mais leve, então estou tentando me cobrar menos, e é assim que consigo fazer mais. parece que nesse ano a idade adulta realmente chegou, estou até me preocupando mais com o corpo, tentando me exercitar e me alimentando bem. por enquanto só fiz um dia de academia, mas já é alguma coisa. meu corpo ficou doendo durante 5 dias depois disso. mesmo assim me sinto mais adulta. comecei a ler a autobiografia da Rita, vulgo Ritinha. já me sinto íntima. ao ler a história dela, vejo que, se tivesse 69 anos agora e escrevesse um livro, não teria tanta história. preciso ter história para contar. é a única coisa que pode me acompanhar para sempre. entre as metas de 2017, existe essa: escrever um livro. pode não ser sobre as minhas histórias, mas serão histórias para contar. minhas ou de alguém. não sei se vou conseguir, mas se conseguir, conseguirei. e é isso que importa. pintei o cabelo de castanho-escuro-quase-preto. a ideia era pintar de castanho-médio-quase-claro, mas ficou escuro. o que foi bom. mudar é sempre bom. por causa das lavagens ele já está desbotando, mas não tem problema. a ideia é mudar várias vezes. sigo voando, sigo sendo, sigo vivendo. e é isso que importa.

posso não ter dito nada com nada. ou posso ter dito tudo.

16 coisas que aprendi em 2016

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

- aprendi que nem sempre a morte precisa ser encarada como um fim. ela pode ser um recomeço, principalmente quando te faz perceber que a vida precisa ser vivida com felicidade, mas que para isso você precisa correr atrás dos seus sonhos. aprendi também que, quando perdemos uma pessoa que amamos, perdemos uma parte de nós. preencher essa parte é difícil, ainda mais com a saudade. arrisco dizer que vai doer para sempre, mas caminho aprendendo a lidar com a dor;

- aprendi que a amizade é o bem mais importante que temos. isso sempre foi uma verdade na minha vida, mas nesse ano pude comprovar: tive tanta companhia nos momentos felizes (e principalmente nos difíceis) que é impossível não considerar uma dádiva;

- aprendi que terminar uma faculdade é libertador, mas que terminar uma faculdade não te possibilita uma segurança na vida;

- aprendi que o maior bem que posso deixar nesse mundão são as minhas histórias, então passei a escrever mais. e também passei a viver mais, para ter o que escrever;

- aprendi que não adianta insistir em um trabalho quando ele não te faz feliz;

- aprendi que trabalhar com música pode ser mais difícil do que parece - ainda mais quando a cultura não é tão valorizada no Brasil - mas percebi que a música salva - ela me salvou;

- aprendi que tudo que vai, volta. então passei a oferecer mais energia positiva, e recebi tudo em dobro;

- aprendi que focar nos seus projetos pessoais pode te fazer ainda mais feliz. mas aprendi também que eles são os mais difíceis de serem colocados em prática. o medo domina;

- aprendi que fazer o que quer é melhor do que não fazer e se arrepender. mas que as vezes fazer o que se quer pode te trazer algum tipo de sofrimento - não é possível adivinhar o que te espera atrás da porta;

- aprendi que não devo confiar em qualquer palavra de amor - e que quando é para ser, será;

- aprendi que sozinha não é possível construir nenhum tipo de relacionamento. e que, se não for pra ser, a culpa não é minha;

- aprendi que preciso me amar, me completar e me bastar para, um dia, ter alguém para somar comigo - e não me subtrair;

- aprendi que a leitura pode continuar me levando para lugares que eu nunca imaginei conhecer - e ela continua me salvando dos meus piores momentos;

- aprendi que é OK ficar um tempo sem estudar e que as vivências do dia a dia podem ser consideradas um estudo: e foi assim que eu passei o meu tempo livre nesse ano;

- comecei a aprender a amar mais o meu corpo, me sentir bem comigo e sair de situações onde tento me diminuir. é isso que tenho para mostrar, afinal, e não devo ter medo ou vergonha - um corpo não diz tudo sobre você. ainda estou aprendendo e pretendo aprender ainda mais;

- aprendi a juntar os cacos depois das desilusões, aprendi a ser mais forte para aguentar todos os baques e aprendi que a solidão pode ser a minha melhor amiga em quase todos os casos. hoje sei me cuidar, e esse é o melhor e maior aprendizado desses 366 dias.


vou entrar em 2017 com a cabeça erguida, sabendo que estou deixando muitas inseguranças em 2016 e que dei o meu melhor. vou sair desse ano carregando pessoas no coração - mas cuja presença está bem longe de mim. vou aproveitar esse ano ímpar da melhor maneira que puder, lembrando sempre que muitas coisas dependem de mim, mas que outras, nem tanto. que possa ser leve. <3

eu sou o meu sol

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

quando "acabou", assim, entre aspas, já que não tinha nem começado, me senti mal. posso dizer até que derramei algumas lágrimas. tudo isso porque eu queria mais de você, queria viver coisas, queria dormir sem ter hora para acordar, queria criar histórias, e você era uma boa pessoa para viver essa boa fase comigo. mas isso não aconteceu, e portanto, "acabou". me senti mal por ver em você um príncipe encantado, o cara dos sonhos de muitas mulheres... e além de tudo isso, exatamente o "meu número". e quando "acabou", pensei: poxa, ele é tão perfeitinho, vai ser difícil achar alguém tão bom quanto ele. realmente, você era tipo o pote de ouro no final do arco íris... até que eu percebi que você pode até ser tudo isso, mas que eu também sou. esse é o meu problema: achar que alguém é perfeito demais para mim quando na verdade, não é tudo isso. pode parecer egoísmo, mas eu preciso ser o suficiente para mim. e bom, se eu sou o suficiente para mim mas não sou para você, não tenho motivos para chorar.

e eu não saio perdendo nessa história toda. 

fiz da frase "o que tiver de ser, será" o meu lema em 2016 e por mais que muitas coisas ruins tenham acontecido, me mantive fiel nessa ideologia. e se não foi pra ser, não era para ser. o futuro vai mostrar que foi melhor assim. 

você até pode ser um sonho, mas não pode ser a minha felicidade ou o meu sol. eu sou a minha própria felicidade e o meu próprio sol.


menino

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

você é o meu menino do aeroporto. quando coloquei os olhos em você, logo depois de passar pela porta automática e sair para a noite quente de agosto, eu soube que nunca mais seria a mesma. e desde então não deixei de te querer em nenhum momento. continuei, mesmo depois de tantos anos, te querendo muito, pouco, só por uma noite ou pelo infinito. o querer corre pelas minhas veias, assim como meu sangue, e faz parte de mim. e talvez faça parte de você. o querer mútuo. a poesia. amor. nós.

você é mais que o menino do aeroporto que tanto mexeu comigo. você é o menino dos sonhos.

sentir

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

a ideia é sentir. seja algo bom ou ruim. e tirar disso uma lição. errar uma vez é humano, mas errar duas faz doer mais do que a primeira. então, sinta e deixe que o sentimento passe. num futuro não tão distante tudo se transformará em lembranças, e serão lembranças boas, que farão parte de quem você é. além de fazer parte, nos farão entender todo o caminho que percorremos e o motivo pelo qual nos transformamos naquilo que fomos transformados. 

nesse mundo louco, onde não nos permitimos demostrar ou sentir, sobreviver ao que sentimos é uma dádiva. 

mergulhar

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016


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