acabou

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

a vida é feita de fases e é impossível adivinhar qual a próxima. você vai vivendo a fase atual até a vida dizer chega e te trocar de lugar. 

tem uma fase da vida que se chama "se importar apenas com quem se importa com você". na fase anterior você se importava e amava mesmo recebendo pouco em troca. aceitava o que era imposto e entendia que tinha que ser assim naquele momento e que "é melhor ter assim do que não ter nada". ok, justo. mas da noite para o dia, ou de um ano para outro, você muda de fase e percebe que não tem mais espaço para se importar sem ser um motivo importante para a outra pessoa. você percebe que fez tudo que podia, mas que precisa de espaço para algo maior, melhor e mais importante. o coração ainda pula ao falar daquela pessoa, ele vai pular por muitos anos, mas não faz mais sentido sofrer desnecessariamente. não faz mais sentido amar sozinho, manter sozinho. não faz mais sentido ser o único a se importar.  dói. machuca. faz ter lágrimas, e quase tudo que tem lágrimas é ruim. se não faz mais sentido, não faz e não vai voltar a fazer: é preciso seguir em frente, firme, e de preferência com o nariz em pé. 

é o momento de dizer "vai tomar no cu", e em letras garrafais, se possível. 

quando crescemos precisamos de espaço para os assuntos responsáveis. você precisa ser responsável, mesmo sem voltar para casa todos os dias, mesmo indo trabalhar com sono e cansada pois dançou a noite anterior inteira. a responsabilidade consome. você paga contas, trabalha, estuda, cuida das crianças, do cachorro, da casa e ainda mantém a vida social. não sobra tempo para sofrer, não sobra tempo para pensar em quem não pensa em nós.

desistir, então. é o que a vida te mostra, te oferece e te obriga. somos, sim, obrigados a nos amar mais, e isso significa não se importar com quem não se importa, e ponto final. 

e então, acabou. pois não tem espaço para esperar ninguém. não sobra espaço para pessoas que não nos julgam como importante. a vida pode até trazer de volta, mas apenas quando a outra pessoa começar, finalmente, a se importar com você. enquanto isso, que vá para bem (mais) longe.

a vida é um eterno encontrar, talvez, outro dia, um outro lugar. mas as vezes os caminhos nunca mais se cruzam. e tem sempre um bom motivo: espaço para novas pessoas. que se importem, por favor.

"no mundo nada se cria, tudo se copia"

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

e qual a graça? parei para pensar nessa frase ontem e por mais que eu pense, não encontro um sentido. sempre achei muito importante colocar minha personalidade em tudo que faço, seja no trabalho, na vida pessoal ou na faculdade. isso faz com que eu me conheça mais, foque mais e me permite criar mais, também. sem limitações. quando você copia algo não tem como inventar mais do que já foi inventado. não tem amor, nem personalidade. é um plágio. e isso é feio. 

super normal se inspirar em algo - a arte, cultura e música estão ai para isso, para inspirar. sair do chão ao ouvir uma música e começar a ter ideias, isso é inspiração. copiar, não é. acho que entendi isso há anos, talvez desde quando me entendo por gente e passei a criar alguma coisa. e isso se mantém aqui e em tudo que faço atualmente. vejo pessoas ganhando rios de dinheiro apenas usando um conceito já criado, modificando um pouco as coisas que já foram feitas por alguém. a cada vez que vejo um conteúdo sendo aceito e compartilhado, sem ter um fundo de verdade, de mão na massa e de criação, me sinto mal por tentar mostrar o que faço para o mundo, simplesmente por achar que que é diferente demais e que não me encaixo em algum padrão. 

o padrão que faz o aceitável ser apenas o que já é consumido, básico e comum. 

poucas as pessoas conhecem a alegria de criar algo do zero, de melar a mão de cola durante uma colagem, de sujar a cama com tanta tinta ou qualquer coisa do tipo. ser você fora do corpo. e poucos sabem a alegria de ver alguém se identificando com algo seu. seu e de mais ninguém. <3

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o "Café, O Sebo", agora, é um projeto palpável. tem site, domínio, logo, instagram e facebook. nem acredito que consegui dar o primeiro passo e agora o medo me domina. medo de não dar certo como eu imaginei que daria, medo de não conseguir... esse medo me impede um pouco de focar. mas não %. vou dar o máximo de mim e sei que não vou "colher os frutos" por um bom tempo, mas vou me guiar pelo amor. amo tudo que faço, mas esse projeto é, basicamente, a minha vida. e ele apenas começou. nem o céu é o limite, graças a Deus! 

crise de identidade

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

você já passou por isso?

estou nessa fase. se é que podemos chamar assim. e é horrível, né? qualquer coisa que venha acompanhada da palavra "crise" pode ser complicada, principalmente quando é relacionado à você e sua imagem. eu gosto de mudar, mas quando acordo e penso "quero mudanças, vou cortar o cabelo". e não quando acordo pensando "quero mudar, mas não sei o que. e também não sei o porquê". 

eu quero mudar, mas não entendo o que precisa de mudanças. simplesmente sinto que não me encaixo em lugar nenhum. em lugar nenhum. não sinto que me encaixo mais nem no meu quarto, sozinha, comigo. sinto que falta algo. 

penso em mudar o cabelo e tirar o rosa, mas ao mesmo tempo quero continuar com o rosa e deixar o cabelo crescer. quero me tatuar, mas não sei o que fazer. quero roupas novas, mas ao mesmo tempo não sei qual estilo quero assumir. ou se preciso assumir, necessariamente, um estilo.

gosto das minhas cores, mas é tão destoante que sinto que não me encaixo. essa palavra, encaixar, ela é complicada, e é nela que mora o perigo. por causa dela corro o risco de mudar para me encaixar em algum padrão existente e aceito pela sociedade. um cabelo castanho, minha cor natural, umas roupas mais sóbrias e sérias, ou sensuais, ou simplesmente comuns. 

eu, que sempre fugi tanto do comum, corro o risco de acabar caindo justamente em um lugar comum... para me encaixar. 

alguém consegue entender o que quero dizer? não existe nenhum problema em ser comum, não. e nem digo que o comum realmente existe. é a minha forma de tentar explicar o que estou sentindo e qual o "risco" que corro. já fui mais séria, com cabelo liso, reto, sem nenhuma outra cor e com roupas, digamos, menos extravagantes. mas eu não era feliz. não me sentia bem ao me olhar no espelho. só me senti realmente feliz quando percebi que queria comprar uma saia muito colorida da seção infantil na Marisa. e quando comprei e usei com uma blusa rosa para combinar. 

usei essa saia esses dias e ao mesmo tempo que me senti feliz, como sempre, ao me colorir, me senti estranha. fora do normal. talvez eu esteja vivendo em mundos diferentes demais. tem o meu mundo, colorido e feliz, tem o mundo da minha família, que não é nada parecido com o meu. tem o mundo dos meus amigos, todos bem vestidos e arrumados com roupas de marcas que eu desconheço. tem o mundo do trabalho. em um dia estou no show de rock e no outro estou no show de samba. como me encaixar em todos eles? e qual o sentido de precisar me encaixar em alguma coisa?

essa é a grande questão: a partir do momento que assumi que faria apenas o que me fizesse bem, nunca precisei me encaixar em nada. trabalhava em agências em centros comerciais e me sentia bem, mesmo rodeada de cores sóbrias e cabelos milimetricamente organizados na cabeça. e hoje me sinto mal por não me sentir bem comigo sem nem saber o motivo.

estou respirando fundo e dando um tempo para mim e para essa sensação, para evitar mudanças que servirão apenas para me deixar encaixada em um padrão porém infeliz com meus ideais, minhas vontades e verdades.

e espero conseguir chegar em algum "lugar", sem precisar sentir a necessidade de mudar apenas para ser aceita em algum padrão. 

e muito menos para ser aceita por alguém. 

li um livro

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

[leia ao som de Billie Holiday - Body and Soul

ontem eu terminei de ler um livro. nenhuma novidade até então. cheguei do trabalho 21h, tomei um banho e li 150 páginas. não conseguiria dormir sem terminar a história, então eu li. 

e chorei. e sorri. e fiquei feliz. e me arrepiei. acho que nunca me arrepiei tanto com uma história. 

li "As violetas de março", um romance de Sarah Jio. num primeiro momento achei que seria meio Nicholas Sparks, e eu não curto muito. mas foi uma indicação da Stefhánie, então resolvi dar uma chance. 

e como já falei aqui, me arrepiei, chorei e sorri. é um romance, sim, mas um romance diferente do que já li por ai. é uma história sobre amor verdadeiro e me fez acreditar ainda mais no amor. o verdadeiro. 

sempre pensei que esse tipo de amor ultrapassa gerações e outras vidas. que ninguém escolhe e ninguém foge, simplesmente porque não dá para fugir dele. você pode até tentar mas ele vai te encontrar. principalmente se uma história precisar ser contada e vivida por você. 

o amor verdadeiro vai acontecer, querendo ou não. e é isso que Emily percebe no decorrer da história. ela sai de Nova York para passar o mês de março com sua tia Bee na ilha Bainbridge. e é lá, durante esse mês, que ela descobre os segredos de sua família, mais precisamente de sua avó materna, e principalmente descobre a história sobre um amor, verdadeiro e infinito, que sua avó viveu com um homem. e então Emily se vê no meio de outra história de amor, também: a sua. 

quando li a última página me senti feliz, e triste, e abraçada, e abandonada por não ter mais e mais páginas. é isso que sinto quando leio um livro que muda a minha vida de alguma forma. acho incrível o poder dos livros em mim, desde pequena. apenas aceito essa paixão e agradeço a oportunidade de conhecer histórias maravilhosas. 

e quem sabe, um dia, escrever. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

hoje ela faz o que quer e o que sente vontade. se quer sair, sai. se não quer, fica em casa e sem nenhuma culpa. se quer trabalhar até tarde, trabalha. se quer beijar sem nem saber o sobrenome de quem vai ser beijado, beija. se ela quer sair de salto alto e dançar até as pernas começarem a doer, ela dança. se ela quer dançar rebelde* até o chão com os amigos num sábado qualquer, ela vai dançar. 

"mas ninguém vai te querer assim." 

então fica só. vai ser bom. a solidão é a melhor amiga de um ser humano. e quando não for, amigos de verdade estão ai para isso. 

sem auto piedade, queira quem te quer. faça o que quer fazer e volte pra casa no amanhecer sem culpa. sem ninguém para te dizer que isso é errado. o que é errado e o que é certo? o certo é o que te faz feliz. então vai. viva. seja livre. e leve. leve tudo que é bom e se deixe pesar menos do que uma pena ao fazer o que te faz feliz. 

se Deus te tirou alguém é porque tinha que ser assim. com o tempo você vai perceber que não era o certo e que não ia te agregar em nada. 

"o tempo mostra quem é quem."

as vezes aquele príncipe encantado é um sapo e ele vai sair da sua vida só pra você perceber que ele era um sapo. e amiga, vem cá, seja sincera: você odeia sapos, como iria conseguir conviver com um? 

então vai, constrói sua vida. sai com as amigas e dance até o chão. brilhe e deixe tudo colorido, assim como você. um dia alguém vai chegar para agregar no que já é completo. já falei: nada de metade da laranja. as combinações são deliciosas. 

permita-se. faça o que quiser. aproveite que não tem ninguém olhando e muito menos cobrando ou julgando e vá viver. não tem nada melhor do que construir seus próprios dias com base na sua própria vontade. 

liberdade, é esse o nome.
* é isso mesmo que você está pensando.

a sorte de uma vida inteira

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

oi, vô. 

aqui estou de novo para falar sobre você. completamos 5 meses e ainda não é fácil... ainda te espero voltar. mas agora sinto uma dor mais amena, porém que enche meus olhos de lágrimas a cada vez que penso em você e principalmente quando lembro daquele dia 2 de abril. e quando lembro do dia 3, também. 

ainda sinto sempre sua falta e a sua presença na mesma proporção. acho que você ainda está cuidando de mim de alguma forma e eu agradeço muito por isso. 

ter você comigo foi uma das maiores sortes da minha vida. 

outra grande sorte é ter os amigos que tenho, vô. sei que não tem nada a ver com o que eu estava falando, mas parei pra pensar naquele dia em que tive que aguentar em pé todos os abraços e as condolências e principalmente a tristeza. o que facilitou, vô, foi ter os meus amigos do lado. eles não me deixaram cair em nenhum momento. olha só a minha sorte: tive você como meu avô por 22 anos e quando não tinha mais fui amparada por pessoas maravilhosas que estavam lá por mim e pela minha família. tive abraços, risadas e amor. e tive até a definição de libélulas quando vimos que você estava rodeado por milhares delas. é a vida provando a sorte, vô. 

meu pai sempre disse que só não ia morar em outra cidade pra não te deixar sozinho. se não fosse você, vô, eu não teria esses amigos. 

vou seguir caminhando, vô. siga me olhando. te amo.  

pedaço de uma colagem que fiz. a felicidade mora nas pequenas coisas. abraço de vô, uma delas. 

fiz um ensaio fotográfico

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

e era uma das metas de 2016. queria me ver em fotografias e enxergar verdade e de alguma forma passar essa verdade para as pessoas também. nada muito produzido, não. sem muita maquiagem, muito cenário e muito menos, sem vulgaridade. minha ideia não era, e nunca foi, mostrar ou vender meu corpo ou algo do tipo. fui na cara e na coragem e sem photoshop. e sem medo, também. 

fiquei meses com essa ideia na cabeça até conseguir colocar em prática. e foi com uma das minhas melhores amigas, Stéfhanie Fanticeli, uma pessoa que soube colocar sentimento em todas as fotos e que me ajudou a colocar toda essa verdade nas imagens. 

traduzimos poesias em fotos. 

decidi que o cenário seria meu quarto, lugar que tem o meu jeito em cada canto. e é lá que mora a maior bagunça que conheço: eu. 

o resultado transmitiu verdade. e ficou fofo. e com uma pitada de melancolia mas também de alegria. 


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