oração

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

não sei se deus existe e se ele costuma atender aos nossos desejos, mas todo mundo diz que sim, então eu quis tentar. eu pedi para te esquecer.

e eu pedi, mesmo, fervorosamente, com direito a "senhor deus, eu te peço" e tudo mais. não sei se ele vai me escutar ou ajudar, mas eu torço para que sim. 

eu não aguento mais e rezar foi minha última alternativa. 

mais de 4 anos e no meio de tudo isso eu já namorei outra pessoa, já fiquei com várias outras, já fiquei com você, já te bloqueei, já comprovei que você pode ser um péssimo relacionamento (para mim) quando quer, já percebi que existem outros caras que podem (e que querem) me fazer feliz, já viajei para lugares mais bonitos do que a sua cidade e já dormi em outros ombros. mas tu... ah, tu continua sendo o único dono desse coração que eu carrego no peito.

e isso me mata aos poucos.

me mata pela impossibilidade de nós dois. por saber que não vamos dar certo. por saber que existem muitos quilômetros que nos separam, por entender que nossos jeitos são opostos e que, ao contrário do que dizem, os opostos até se atraem, mas não dão certo. 

como é difícil gostar tanto de alguém que não está aqui, cujo contato e relacionamento é conturbado demais para continuar existindo. 

essa noite eu sonhei com você. num primeiro momento, éramos os dois do jeito que somos: eu me afasto, você não vem atrás. e então eu acordei e pensei "é ele, não quero mais sonhar". e dormi. e você voltou. e na segunda vez, éramos a nossa melhor versão: juntos, abraçados, cheios de carinho e emanando amor. amor puro, purinho, como o que provei ao te encontrar.

acordei chorando. foi a primeira vez em muito tempo que chorei tanto por você. ou por estar sem você, no caso. e eu não sabia o que fazer, então eu te contei. e você me disse que me ama, sempre, e que também sonhou comigo.

e então, sumiu. como sempre. você continua sendo você, e eu continuo te querendo mais e mais. já não sei mais o que fazer, e é cada vez mais difícil acordar sabendo que quero te tirar da minha vida ao mesmo tempo que ainda sonho com a nossa casa, nossas plantas e nossos gatos. é difícil tentar cortar os laços quando você ainda aparece nos meus sonhos, quase todos os dias. 

deus, por favor, tire isso de mim. essa é a única frase que eu consigo dizer em relação a você. perdi as forças, perdi minhas esperanças, eu só quero que esse sentimento vá para bem longe de mim. e ao mesmo tempo, só quero que você venha pra cá pra deitar do meu lado e dizer que "vai ficar tudo bem".

 

no presente, tudo. no futuro, nada

terça-feira, 16 de janeiro de 2018


o que poderíamos ter sido?

você já parou pra pensar nisso? confesso que já pensei algumas vezes. vejo casais na rua e imagino nós dois, mesmo sabendo que nunca nos encaixaríamos naquela cena. diferenças demais e loucuras também.

mas sabe o que poderíamos ter sido? fogo. quando digo que quero ficar com alguém para incendiar a minha vida, penso em você.

nosso maior "algo em comum" seria a vontade de criar as histórias para contar. eu com as minhas, você com as suas.

nós, com as nossas.

poderíamos ter sido, mas não fomos. e tá tudo bem. seguimos caminhos opostos e você resolveu colocar fogo no mundo com outra pessoa.

sigo colocando sozinha.

quando eu percebi que você não queria ser nada comigo, eu continuei sendo a minha maior parceira. estamos felizes, é o que importa, sem mágoas ou rancor, somente carinho.

poderíamos ter sido, sim. mas no final, vulgo hoje, eu descobri que foi melhor assim: não fomos.

21 de dezembro de 2017

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018


quando assinamos um documento que diz que estamos cientes de que talvez não sobre coração batendo no corpo, vulgo a-morte-pode-te-buscar-quando-você-entrar-naquela-sala, algumas coisas começam a fazer sentido. e outras param. é engraçado perceber que só damos valor para a vida quando chegamos perto, bem perto, de perder tudo.

ser humano é bicho estranho.

2017 foi aquele ano louco pra mim e pra você, eu sei, mas quando um ano começa a acabar você percebe que na verdade ele foi bom. não perfeito, claro, mas quase nada é. certo? certo. mesmo sendo louco, trouxe bons ensinamentos, enormes lições, pessoas de bom coração e muitos momentos, dos bons e ruins, os famosos "altos e baixos". muitas vezes mais "baixos" do que "altos", mas de vez em quando, mais "altos" do que o céu.

eu tenho sorte de conseguir voar sem tirar os pés do chão.

quando dezembro começou eu entrei numa paz de espírito tão grande que tenho até medo de ser muito passageiro. lidar com dores, voltar para o trabalho, viajar, planejar viagem de final de ano, definir novas metas, conhecer boas pessoas, enxergar tudo como uma história para contar... tudo isso ajuda. mas perceber que eu fui mais forte do que as pancadas da vida me enche muito mais de amor. por mim.

quando acordei nesse novo ciclo, percebi que eu mereço muito, muito mais. e é nisso que preciso pensar ao acordar todos os dias, de hoje até sempre. tem gente que pensa que é fácil... finalizar histórias, começar outras, tentar de novo, desistir definitivamente. mas dói, viu? dói muito.

quase sempre preciso lembrar de me orgulhar da minha coragem.

e agora o verão chegou, vejam só, mas que boa notícia! mas ele chegou e mesmo assim o dia amanheceu cinza... e quer saber? quem se importa? o que importa é que é verão aqui dentro!

"ela então cansada se desmascarou
e sorriu
e dizem que sorrindo ela entendeu
que a vida só se dá
pra quem se deu."

primeiro de 2018

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

chegamos em 2018 e eu nem acredito que sobrevivi a 2017. mesmo com toda a sua loucura, o ano passado que ainda não é tão passado assim me comove a cada vez que participa das minhas lembranças. 

costumo dizer que não foi fácil.... e no fim percebi que foi tão difícil que se tornou emocionante. 

cheguei em 2018 cercada de boas pessoas em ubatuba, vivi dias lindos e cheios de sol, amor e paz, e consegui começar o ano com a certeza de que estou no caminho certo. nunca me senti tão dona de mim, nunca achei que seria capaz de passar por tantas coisas e continuar sã. com uns cortes aqui e acolá, mas salva. 

trouxe para 2018 toda a coragem que me acompanhou em todos os dias de 2017, mesmo naqueles em que achei que não conseguiria. é justamente dessa tal coragem dos piores dias que preciso. enfrentei muitos medos no ano passado e nesse pretendo enfrentar muitos outros, mas com paz, com amor e com calma. 

não há nada melhor do que olhar para mim e para a minha vida e perceber que a única pessoa que pode cuidar de mim, sou eu. e é isso que ando fazendo: escolho o que quero fazer e o que pode me causar a tão famosa FELICIDADE. encontro meus próprios caminhos, deixo para trás o que não faz mais sentido e sigo colhendo os frutos de tudo que planto. é por isso que tento ser sempre mais uma boa pessoa. 

maldade não existe nessa colheita inteira. 

o maior aprendizado dos últimos meses (quiça anos!) é entender que a pessoa mais importante do meu mundo sou apenas eu. egoísta sim, talvez, mas começar um ano pensando mais em você pode fazer toda a diferença. nem por isso deixo de cuidar dos meus grandes amores. sem eles, nada seria. 

e seguimos. sempre. o baile, a dança, os passos, a vida. 

agora eu quero ir

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

"encontrei descanso em você
me arquitetei, me desmontei
enxerguei verdade em você

me encaixei, verdade eu dei

fui inteira e só pra você
eu confiei, nem despertei
silenciei meus olhos por você
me atirei, precipitei
agora

agora eu quero ir
pra me reconhecer de volta
pra me reaprender e me apreender de novo
quero não desmanchar com teu sorriso bobo
quero me refazer longe de você."


eu sempre falo que vou, mas sempre volto. a questão é que eu mereço mais, muito mais. mereço ser tratada como trato. eu sei que é errado esperar algo em troca, mas me doar tanto e não receber nada não é lá tão justo. 

você não vai mudar, e eu mudei muito por você. te entendi, te esperei. é o seu jeito, é o seu momento, ele não pode fazer isso por mim. 

mas e o que eu quero? onde fica? não tenho direitos? não posso cobrar, pedir, querer... e mesmo assim você quer que eu fique?

é demais pra mim. guardo as partes boas, como sempre, mas agora vou atrás do meu "mais". seja sozinha ou com outro alguém. tu tem meu endereço, sabe onde me encontrar. eu só não te espero. não mais.

e se algum dia você se perguntar o que eu queria, olhe aqui. ah, eu sei, estamos distantes, você vai dizer. acontece que a distância nunca foi o problema. você sabe disso.

doeu? sim.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

quando os assaltantes entraram pela porta dianteira, eu estava na frente da porta traseira, só esperando o meu ponto chegar. senti medo do que poderia acontecer... não só o fato de perder um celular, mas senti medo de todo o resto. as possibilidades ruins eram infinitas. foi quando resolvi pular. eu estava de salto, com uma bolsa e uma sacola na mão. pulei. costumo dizer que, assim que meus pés ficaram sem chão, eu só consegui pensar no "fo-deu". já sabia que não sairia inteira dali.

quando levantei, senti um pedaço do meu dente na boca e gosto de sangue, muito sangue. olhei para a minha blusa e vi mais sangue. resolvi encontrar forças para caminhar até a minha casa. meu corpo me obedeceu, mas acho que nunca tremi tanto na minha vida.

quando cheguei em casa, vi nos olhos dos meus pais o medo de perder uma filha (...)

me perguntaram muitas vezes se não senti dor depois do acidente.

não, não senti. eu só sentia medo. mas senti dor quando vi meu pai limpando o meu sangue e minha mãe me cobrindo e me abraçando. quando vi meu pai entrando no meu quarto pra ver como eu estava e me encontrando de olhos abertos de pavor por tudo que tinha acontecido. senti dor quando vi meus sobrinhos e minha irmã no dia seguinte, antes de ir para o hospital, e notei o medo que eles também estavam sentindo.

doeu quando a minha sobrinha passou a me chamar de titia dodói e quando não quis mais chegar tão perto de mim. talvez por medo de me machucar, talvez por medo dos meus machucados.

doeu quando minha melhor amiga disse que se eu morresse ela entraria em depressão. doeu quando o meu amor disse que sentiu medo de me perder.

doeu entrar na sala de cirurgia e me despedir da minha irmã, que disse, com a voz chorosa: "vai dar tudo certo, meu amor". doeu encontrar a minha família depois da cirurgia, com o rosto cheio de sangue por causa dos tubos e ainda zonza da anestesia, e não conseguir contar tudo que estava sentindo (valeu, bloco de notas do celular).

eu sinto dor quando penso em tudo e percebo que poderia ter sido bem pior.

a dor física não é nada quando comparada a dor emocional. só senti dor quando percebi que as minhas ações podiam resultar em muita tristeza para quem amo. não tive culpa do assalto, mas tive culpa de voltar para guarulhos no último ônibus, mesmo com meu pai dizendo "vem logo, filha, o bairro tá estranho essa noite".

e apesar de toda essa dor, eu estou bem e a cada dia que passo fico melhor. e agora, sim, sinto dor. mas a dor não é nada quando comparada a cada visita, cada mensagem, cada sopa nova, cada mingau, cada curativo.

quando meu pai chega do trabalho, a primeira coisa que ele faz é me procurar para saber se estou bem.

a dor não é importante nesse processo. entender o que o meu destino quis me ensinar, sim.

amor!

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

cá estou, sentada no quarto com um ursinho nas costas e o outro no colo, um livro aberto de um lado e uma xícara de chá do outro. chá de erva doce que meu pai fez, livro que uma amiga me deu, ursinhos que pessoas especiais me deram. a cama está fresca, lençóis recém trocados. já percebeu como é gostoso deitar em lençóis novos depois de um banho? prazer de outro mundo. o clima está quente, aparentemente uns 30º só no meu quarto. janela aberta, cortina cobrindo tudo mas permitindo uma leve brisa. 

tomei meu remédio e enquanto leio e tomo o chá, espero o sono chegar. nas últimas semanas ele tem demorado para aparecer, mas pelo menos sei que até as 02h ele bate na porta. aguardo. enquanto tudo isso acontece, chá, ursos, livros e remédios, paro e penso, novamente, em tudo que me aconteceu. sei que falo demais sobre o acidente recentemente... mas sabe, foi um acidente. por muito pouco algo pior não acontece. se antes de tudo isso eu já era uma pessoa positiva demais, imagine agora. 

eu senti muito medo. medo da operação e de tudo que isso causava. e ainda sinto. medo de ficar com a mordida torta, medo de passar a vida com um pino dentro do meu corpo, medo de sentir dor quando o clima ficar frio.

mas são apenas alguns ossos que logo logo estarão colados e fim, podemos seguir a vida. acho meio ridículo ter medo de uma mordida torta quando tantas pessoas passam por coisas mais difíceis. leva um tempo para entender que nosso buraco não é tão lá embaixo e que a vida, apesar de tudo, é maravilhosa.

meu corpo, cabelo, rosto, com maxilar torto ou não: perfeição! e não perfeito de lindo, perfeito de perfeito. eu existo! sou amada e amo. isso basta. com saúde corremos atrás do resto e com o resto corremos atrás da saúde. 

vamos reclamar menos e sorrir mais. mesmo com maxilar torto. 

médico disse "evita falar, evita dar risada". eu até evito... mas quando surge a oportunidade, eu dou risada sim senhor. se uma queda não me matou, não é uma risada que vai me matar. 

no fim das contas, ela vai é me curar. 

meu sobrinho acabou de entrar no meu quarto. me deu um beijo na testa, me desejou uma boa noite e disse que me ama. e do que mais eu preciso? de nada. estamos bem, estamos vivos e com a respiração funcionando corretamente. é só isso que importa. 

muitas coisas aconteceram, por fora e por dentro. mas se tem algo que vou levar para sempre desse acidente, é o amor que recebo. 

obrigada, deus. sei que você existe, seja em forma de fé, amor ou energia. ou é realmente um homem com barba, não importa. eu só sei que o que importa são as coisas que sentimos com o nosso coração. e isso, deus, sinto em demasia.
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