15 anos

segunda-feira, 16 de abril de 2018

todo domingo, na hora do cochilo da tarde, tenho sonhos totalmente reais. sei que durmo, sei que sonho, mas parece que sonho acordada. no de ontem eu tinha a sensação de estar acordada, escrevendo e me preocupando com o que estava escrevendo, mas na verdade era sonho. e só dava pra saber pois, no irreal, eu estava grávida. e escrevendo.

não estou grávida na vida real, então era um sonho.

talvez tenha sido um sonho quase real pois ando realmente me preocupando com o que escrevo. na verdade, com o que não escrevo. faz tempo que não coloco pensamentos em palavras. faz tempo que não tento. tá, vai lá, isso é exagero, escrevo algo todos os dias ou pelo menos em quase todos, mas aqui, nessas tantas palavras soltas nesse mundo tão gigantesco que é a internet, tenho faltado.

e de que importa?

assim como no sonho, a vida real é outra. ela, tenho vivido. e sinto tudo tão bagunçado que não consigo vir aqui para escrever e dizer:

olha, está uma bagunça.

pois está. me sinto repleta de ruídos abafados e não sei muito bem como transformar isso em música, mas sigo tentando. acho que estou na zona de conforto e nunca fui muito com a cara dela, mas é onde me encontro agora. só que, dessa vez, diferente de todas as outras, não sei o que devo mudar: se é o cabelo ou se é tudo. difícil dizer.

parece areia movediça. quanto mais você pensa, mais você afunda.

como é que sai? nem sei se quero sair.

ara mas tá, vai ter que sair. se vira, mocinha.

esses dias vieram comentar aqui nesse espaço (que ninguém nem vê, como me achou é uma dúvida) que pareço ter 15 anos. e que é uma pena. não sei se entendi a pena. mas que eu queria voltar aos 15, queria. a vida adulta é a tal da areia que te leva cada vez mais pra baixo, e é foda se manter na superfície. mas tentamos. pelo menos tem algo em mim que parece ter 15 anos, e isso talvez seja bom.

nem tudo está perdido, afinal.

faz tanto tempo que estou sozinha, digo, amorosamente falando, que chego a pensar que é pra sempre. será? solteirona mesmo, eu e meus cachorros? ou gatos? e plantas? isso não me assusta. tem vezes que parece um baque, mas depois eu agradeço.

mãe diz "melhor sozinha do que mal acompanhada", e eu concordo.

até quase não fiquei mais sozinha, lá no final do ano. foi quando caio apareceu. acontece que caio apareceu para me mostrar que eu quero, sim, ficar só, e decidir se prefiro cortar o pé com vidro na virada do ano e aprender dessa forma ou se quero alguém me dizendo o que fazer.

quero cortar o pé, oras.

e assim estamos. leituras em dia, pelo menos isso. viagens sendo planejadas e essas coisas todas.

apesar de toda a bagunça que citei nesse texto - e que transformei nesse texto - no final do dia, minutos antes de cair no sono, sinto paz.

e é só isso que eu busco desde os 15 anos.

almas - a tua e a minha

quinta-feira, 1 de março de 2018

sonhei com você hoje... de novo. 

eu já nem tenho muito o que falar. você sabe que isso sempre acontece, e eu também sei. e dói, viu. dói muito. 

dizem que a alma sai do corpo durante o sono e encontra pessoas por ai... e então essas pessoas aparecem nos sonhos. minha alma vive saindo pra te encontrar. eu nunca achei que poderia ter inveja de uma alma, poxa vida, mas eu tenho. 

poderia pensar diferente. quem sabe um "bom, pelo menos minha alma está com ele" ou pelo menos um "ele apareceu no meu sonho, bom reencontrá-lo pelo menos assim". mas não funciona... continua doendo depois. dói por saber que tudo que eu queria era exatamente isso. você me beijando sem ser um sonho. sem o acabar-ao-acordar.

eu só queria que não doesse.

como não tem como não doer, eu te peço pelo menos uma coisa:

manda minh'alma embora, vai. não me beije, não me abrace, não seja o amor da vida que um dia eu encontrei. seja o canalha que é! e ai sim, vai doer e a tal alma vai chorar... mas no dia seguinte eu acordarei, pelo menos, livre de ti. 

eu não aguento mais.

mas mesmo não aguentando, hoje não vou me entregar, não. vou trabalhar, vou pra aula de bateria, vou passear com o cachorro, vou manter a dieta, beber 2 litros de água, começar um livro novo. 

não vou me deixar cair no chão e passar o dia lá, como sempre acontece quando você aparece. 

sou maior do que isso. vai doer o dia todinho, coitado do meu coração, mas nenhuma lágrima vai cair, nenhuma mensagem será enviada, nenhuma ligação será discada. 

tua alma pode até merecer a minha. mas você... não.

ah, a vida...

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018


tá tudo bem, naiara. o cachorro ficando cego de um olho, a operação inflamada, uma casquinha gigante de sangue saindo do seu ouvido cuja cicatrização ainda não é garantida, muita correria, dor de cabeça quase-todos-os-dias e insônia quase sempre.

mas está tudo bem.

pensa só: você descobriu a tempo que Sebastian agora é dono de uma catarata e vai poder cuidar do bichinho como ele merece, seus "machucados" com o tempo vão parar de inflamar e aos poucos tudo volta ao normal. você conseguiu até ir no dentista, saca só!

agradecer pelas vitórias dos pequenos desafios faz parte do aprendizado - e do caminho.

sei que você se sente sozinha quase sempre, e que a vida adulta tem sido difícil - é eita atrás de eita - e que você está cansada de se doar por quem não se doa nem um-por-cento, e é por isso que é melhor a solidão do que uma solidão conjunta repleta de quem não te acrescenta, sabe? já dizia lygia "somar solidão só pode dar numa solidão ainda maior". continua cavando cada vez mais fundo de você. és o seu próprio arco-íris e no final existe o pote de ouro. 

continue espalhando o melhor que conseguir. o resto vem. confesso até que sinto, a cada dia, um orgulho maior de você. por conseguir manter o sorriso no rosto mesmo quando nem tudo vai bem e por continuar acreditando no dia seguinte. eliminando tudo de ruim que aconteceu no passado, agradecendo pelo presente e planejando, aos poucos, o futuro. futuro esse tão, mas tão repleto desse brilho que você adquiriu, sozinha, ao longo dos últimos anos... as pessoas te deram amor, mas quem derrubou cada obstáculo, foi você, embora algumas continuem insistindo que elas estavam lá, derrubando também. você sabe que não.

continue seguindo, seguindo, seguindo, sem parar! e você sabe que aos poucos tudo se encaixa. mas você vai precisar ser adulta - e decidida! - mas pelo menos isso você é e já faz um tempo. desde quando decidiu fazer o que bem entendesse. sempre. é como diz a sua mãe: essa garota bateu a cabeça quando nasceu.

todo mundo tem suas fases de sentir o mundo todo nas costas. a sua vem e volta, e nunca vai embora completamente, mas é sempre passageira. logo, logo, tudo fica bem. cê sabe. com calma, carinho, e amor, você prova - e não prova pra ninguém a não ser pra você - que 

vida
é 
boa, 
afinal.

todo mundo se sente um pouco perdido, mas saber que tudo isso é muito pouco perto do todo, faz doer um pouco menos. que sorte a nossa por saber que existe muito mais do que nossos olhos podem enxergar.

sempre vai faltar algo, nada dura para sempre e a vida é uma eterna repetição de tapa na cara e carinho. o que importa é ser feliz mesmo nos momentos mais complicados - e principalmente nos intervalos. 

oração

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

não sei se deus existe e se ele costuma atender aos nossos desejos, mas todo mundo diz que sim, então eu quis tentar. eu pedi para te esquecer.

e eu pedi, mesmo, fervorosamente, com direito a "senhor deus, eu te peço" e tudo mais. não sei se ele vai me escutar ou ajudar, mas eu torço para que sim. 

eu não aguento mais e rezar foi minha última alternativa. 

mais de 4 anos e no meio de tudo isso eu já namorei outra pessoa, já fiquei com várias outras, já fiquei com você, já te bloqueei, já comprovei que você pode ser um péssimo relacionamento (para mim) quando quer, já percebi que existem outros caras que podem (e que querem) me fazer feliz, já viajei para lugares mais bonitos do que a sua cidade e já dormi em outros ombros. mas tu... ah, tu continua sendo o único dono desse coração que eu carrego no peito.

e isso me mata aos poucos.

me mata pela impossibilidade de nós dois. por saber que não vamos dar certo. por saber que existem muitos quilômetros que nos separam, por entender que nossos jeitos são opostos e que, ao contrário do que dizem, os opostos até se atraem, mas não dão certo. 

como é difícil gostar tanto de alguém que não está aqui, cujo contato e relacionamento é conturbado demais para continuar existindo. 

essa noite eu sonhei com você. num primeiro momento, éramos os dois do jeito que somos: eu me afasto, você não vem atrás. e então eu acordei e pensei "é ele, não quero mais sonhar". e dormi. e você voltou. e na segunda vez, éramos a nossa melhor versão: juntos, abraçados, cheios de carinho e emanando amor. amor puro, purinho, como o que provei ao te encontrar.

acordei chorando. foi a primeira vez em muito tempo que chorei tanto por você. ou por estar sem você, no caso. e eu não sabia o que fazer, então eu te contei. e você me disse que me ama, sempre, e que também sonhou comigo.

e então, sumiu. como sempre. você continua sendo você, e eu continuo te querendo mais e mais. já não sei mais o que fazer, e é cada vez mais difícil acordar sabendo que quero te tirar da minha vida ao mesmo tempo que ainda sonho com a nossa casa, nossas plantas e nossos gatos. é difícil tentar cortar os laços quando você ainda aparece nos meus sonhos, quase todos os dias. 

deus, por favor, tire isso de mim. essa é a única frase que eu consigo dizer em relação a você. perdi as forças, perdi minhas esperanças, eu só quero que esse sentimento vá para bem longe de mim. e ao mesmo tempo, só quero que você venha pra cá pra deitar do meu lado e dizer que "vai ficar tudo bem".

 

no presente, tudo. no futuro, nada

terça-feira, 16 de janeiro de 2018


o que poderíamos ter sido?

você já parou pra pensar nisso? confesso que já pensei algumas vezes. vejo casais na rua e imagino nós dois, mesmo sabendo que nunca nos encaixaríamos naquela cena. diferenças demais e loucuras também.

mas sabe o que poderíamos ter sido? fogo. quando digo que quero ficar com alguém para incendiar a minha vida, penso em você.

nosso maior "algo em comum" seria a vontade de criar as histórias para contar. eu com as minhas, você com as suas.

nós, com as nossas.

poderíamos ter sido, mas não fomos. e tá tudo bem. seguimos caminhos opostos e você resolveu colocar fogo no mundo com outra pessoa.

sigo colocando sozinha.

quando eu percebi que você não queria ser nada comigo, eu continuei sendo a minha maior parceira. estamos felizes, é o que importa, sem mágoas ou rancor, somente carinho.

poderíamos ter sido, sim. mas no final, vulgo hoje, eu descobri que foi melhor assim: não fomos.

21 de dezembro de 2017

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018


quando assinamos um documento que diz que estamos cientes de que talvez não sobre coração batendo no corpo, vulgo a-morte-pode-te-buscar-quando-você-entrar-naquela-sala, algumas coisas começam a fazer sentido. e outras param. é engraçado perceber que só damos valor para a vida quando chegamos perto, bem perto, de perder tudo.

ser humano é bicho estranho.

2017 foi aquele ano louco pra mim e pra você, eu sei, mas quando um ano começa a acabar você percebe que na verdade ele foi bom. não perfeito, claro, mas quase nada é. certo? certo. mesmo sendo louco, trouxe bons ensinamentos, enormes lições, pessoas de bom coração e muitos momentos, dos bons e ruins, os famosos "altos e baixos". muitas vezes mais "baixos" do que "altos", mas de vez em quando, mais "altos" do que o céu.

eu tenho sorte de conseguir voar sem tirar os pés do chão.

quando dezembro começou eu entrei numa paz de espírito tão grande que tenho até medo de ser muito passageiro. lidar com dores, voltar para o trabalho, viajar, planejar viagem de final de ano, definir novas metas, conhecer boas pessoas, enxergar tudo como uma história para contar... tudo isso ajuda. mas perceber que eu fui mais forte do que as pancadas da vida me enche muito mais de amor. por mim.

quando acordei nesse novo ciclo, percebi que eu mereço muito, muito mais. e é nisso que preciso pensar ao acordar todos os dias, de hoje até sempre. tem gente que pensa que é fácil... finalizar histórias, começar outras, tentar de novo, desistir definitivamente. mas dói, viu? dói muito.

quase sempre preciso lembrar de me orgulhar da minha coragem.

e agora o verão chegou, vejam só, mas que boa notícia! mas ele chegou e mesmo assim o dia amanheceu cinza... e quer saber? quem se importa? o que importa é que é verão aqui dentro!

"ela então cansada se desmascarou
e sorriu
e dizem que sorrindo ela entendeu
que a vida só se dá
pra quem se deu."

primeiro de 2018

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

chegamos em 2018 e eu nem acredito que sobrevivi a 2017. mesmo com toda a sua loucura, o ano passado que ainda não é tão passado assim me comove a cada vez que participa das minhas lembranças. 

costumo dizer que não foi fácil.... e no fim percebi que foi tão difícil que se tornou emocionante. 

cheguei em 2018 cercada de boas pessoas em ubatuba, vivi dias lindos e cheios de sol, amor e paz, e consegui começar o ano com a certeza de que estou no caminho certo. nunca me senti tão dona de mim, nunca achei que seria capaz de passar por tantas coisas e continuar sã. com uns cortes aqui e acolá, mas salva. 

trouxe para 2018 toda a coragem que me acompanhou em todos os dias de 2017, mesmo naqueles em que achei que não conseguiria. é justamente dessa tal coragem dos piores dias que preciso. enfrentei muitos medos no ano passado e nesse pretendo enfrentar muitos outros, mas com paz, com amor e com calma. 

não há nada melhor do que olhar para mim e para a minha vida e perceber que a única pessoa que pode cuidar de mim, sou eu. e é isso que ando fazendo: escolho o que quero fazer e o que pode me causar a tão famosa FELICIDADE. encontro meus próprios caminhos, deixo para trás o que não faz mais sentido e sigo colhendo os frutos de tudo que planto. é por isso que tento ser sempre mais uma boa pessoa. 

maldade não existe nessa colheita inteira. 

o maior aprendizado dos últimos meses (quiça anos!) é entender que a pessoa mais importante do meu mundo sou apenas eu. egoísta sim, talvez, mas começar um ano pensando mais em você pode fazer toda a diferença. nem por isso deixo de cuidar dos meus grandes amores. sem eles, nada seria. 

e seguimos. sempre. o baile, a dança, os passos, a vida. 
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